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O FORNECEDOR E O CONSUMIDOR

Ser grande não é tão fácil quanto se imagina, segundo a maior autoridade brasileira em Marketing, Francisco Alberto Madia de Souza, diretor-presidente e sócio do Madia Mundo Marketing, empresa líder em Consultoria de Marketing, advogado e administrador de empresas, com cursos de especialização em Marketing no Brasil e nos Estados Unidos – New York University e Master em Marketing pelo CFE.

Em entrevista entitulada "O fornecedor tem que ir onde o consumidor está", Francisco Alberto Madia de Souza afirma: "As grandes empresas são muitas vezes mais conscientes e maduras de que é importante diagnosticar e fazer planejamento, antes de agir. Mas a ativação do que se imagina é um processo lento. Por isso, historicamente, todas as ações que dependiam de uma decisão e um esforço físico, com alma e coragem, foram iniciativas das pequenas organizações. Foram iniciativas de guerrilheiros".

O empresário diz que quando se começou a falar em "pastinhas" no Brasil, se os grandes bancos tivessem ouvido tais conversas achariam um absurdo. "Hoje, todos eles têm seus "pastinhas" e estão buscando o consumidor onde ele está. As pequenas promotoras ensinaram o caminho, pois elas têm uma capacidade de reação diante da oportunidade muito maior do que as grandes organizações, amarradas a valores e processos importantes, mas muito pesados", avalia. Ele lembra que não foram os grandes bancos que inventaram o crédito consignado. Esse produto nasceu da manifestação das pequenas organizações, que tinham que encontrar alguma maneira de crescer, prosperar e sobreviver. "Elas recorreram ao consignado, que é uma maneira extraordinária de democratização do crédito", elucida.

COMEÇO NEBULOSO

Para Francisco Madia, a iniciativa da criação do crédito consignado é brilhante. "É verdade que tudo começou de uma maneira torta e a imprensa repercutiu esse início nebuloso muito fortemente. Foi um escândalo, com direito a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e ampla cobertura jornalística. No entanto, o produto em si é brilhante. Num país que carecia de crédito, finalmente se encontrou uma forma de oferecê-lo por um preço que cabe no bolso das pessoas, garantindo às instituições financeiras total segurança. Ou seja, é o produto perfeito", diz. Madia avalia ainda que o crédito consignado é moderno, socialmente adequado e tem uma mecânica perfeita. "Acho que foi uma grande conquista para o Brasil", completa.

É POSSÍVEL SOBREVIVER?

Entre um generalista e um especialista, Madia aposta 100% no especialista. "Em termos de competitividade, é óbvio que quem concentra toda a sua energia, todo o seu tempo, talento, toda a sua inovação e criatividade, para uma coisa específica, tem vantagem", diz. Segundo ele, o mundo cada vez mais, é especialista, não porque essa seja a verdade maior. Mas porque nós, consumidores modernos, queremos nos relacionar com pessoas que a gente conheça, goste e respeite. E respeito está relacionado à especialização. "Cada vez mais o consumidor moderno vai procurar comprar seus serviços e produtos de empresas que sejam especializadas", avisa.

UM CONSELHO PARA PROMOTORAS E BANCOS

"Leve muito em consideração que, quando um negócio de prestação de serviços cresce, você tem que agregar terminais no seu processo de distribuição. E esses terminais são as pessoas físicas. Os gerentes, os promotores ou "pastinhas". Tenha em mente que os clientes do seu produto são muito mais clientes dessas pessoas, de quem eles gostam e em quem confiam, do que da sua organização. Você tem que ter uma marca respeitável e de qualidade, sim. Mas quem tem a capacidade de mobilizar seus clientes, são esses profissionais, aos quais chamamos de people da empresa", ensina. Para Madia, o segredo é mantê-los informados, motivados, reconhecidos e felizes.

CONSTRUINDO UMA MARCA D E PESO NOS ANOS 70

Em 1970, Madia já tinha sua primeira experiência numa pequena instituição financeira. Nessa época, o Itaú resolveu criar uma área de Marketing. Foi o primeiro banco a tomar essa iniciativa no Brasil. Contratou uma empresa de headhunting e Madia foi a pessoa escolhida para montar essa grande marca. "Fui para lá com uma equipe de 12 pessoas e quando cheguei ao banco, não encontrei o Itaú. Encontrei o Itaú, o América, o Sul Americano, a Aliança Portuguesa e a União Comercial. Porque esse foi o caminho que o doutor Olavo Setúbal (Fundador e Presidente do Banco Itaú), escolheu para tentar se aproximar do Bradesco, em algum momento no futuro", lembra.

Naquela época, em termos relativos, o Itaú tinha a metade do tamanho do Bradesco. Assim que a equipe de Madia começou a trabalhar, deu uma volta pelas agências e descobriu que o processo de fusão tinha sido muito importante para acelerar o crescimento, mas não conseguia produzir uma organização unida. Cada gerente continuava trabalhando como quando estava no banco do qual tinha vindo. Rapidamente ficou claro que a primeira coisa a fazer, era dar uma unidade para a organização. Então, todo o trabalho que foi feito durante dois ou três anos, foi o de procurar dar essa unidade. "Nós tivemos que eliminar rapidamente quase todas as denominações utilizadas no banco, porque a gente queria chegar na denominação mais curta possível. Depois desse período, conseguimos concentrar aquelas marcas na marca Itaú América", recorda.

Então, a equipe de Madia fez uma primeira convenção de gerentes, com os 300 gerentes das 300 agências que o Itaú tinha, e conseguiu uma unidade de mensagem, uma unidade de pensamento, uma unidade de ação e, a partir daquele momento, as pessoas passaram a olhar numa mesma direção: para fora, para o mercado e em busca de clientes, muito embora o Itaú continuasse a comprar outros bancos. "Nós precisamos de mais três anos para convencer a toda a organização de que a gente tinha que reduzir ainda mais o nome do banco. O Banco América, um dos bancos do qual se originou o Itaú, pertencia à família Levi. O doutor Herbert Levi estava vivo e a gente teve uma negociação muito difícil, no início, mas depois ele acabou concordando. Reduzimos o nome para Itaú, em 1973. A linha estava definida, existia uma unidade e, então, o banco pôde crescer, prosperar e chegar à posição em que está. Depois de quase 38 anos, ele está colado com o Bradesco, disputando cabeça a cabeça essa posição. E eu tenho muito orgulho desse trabalho", comemora.

Há 12 anos, a equipe do Madia Mundo Marketing foi chamada pelo Bradesco para realizar um trabalho semelhante aquele feito no Itaú. "Trabalhamos durante três ou quatro anos no reposicionamento do banco. E temos muito orgulho em dizer que participamos do processo de planejamento, posicionamento e construção das duas marcas de maior valor desse país, segundo as consultorias que medem valor de marca", conclui.

TENDÊNCIAS DE MERCADO

Se retratarmos o que aconteceu com o Marketing e com a Administração das empresas, em 200 anos - a partir do início da revolução industrial – será possível notar que, no início, havia uma dependência muito grande na matéria prima e as empresas estavam todas olhando para trás. Um pouco depois, quando conseguiram resolver o problema dos suprimentos, os empresários começaram a olhar para dentro e a organizar o que se chamava, na época, de escritório; depois passaram a organizar a fábrica, pra conseguir produzir em maior quantidade porque passou a haver uma maior demanda para tudo. Quando nasceu a concorrência, as empresas começaram a olhar com desconfiança e curiosidade para fora e para o consumidor.

"Hoje, para ter um comportamento adequado e identificar exatamente o que tem que ser feito, você tem que estar o tempo todo olhando para fora da empresa, e não mais olhando apenas para o consumidor, mas se colocando no lugar dele. O empresário e a empresa têm que conseguir entrar nos sonhos, expectativas e motivações das pessoas. E têm que saber esperar. Se posicionando da forma mais digna possível, nos lugares por onde ele vai passar. Se fizer isso, vai conseguir sua atenção", ensina. Madia diz que todas as tendências vão decorrer disso. Todas as novas ferramentas vão decorrer dessa nova postura do cliente e do consumidor. Porque é assim que sempre acontece. As ferramentas não nascem antes. O comportamento do mercado é que muda e, a partir daí, as empresas tentam encontrar as ferramentas adequadas para trabalhar. Muitas vezes até usando um instrumento antigo, mas fazendo uma releitura da forma de utilizá-lo.

Entrevista feita por Gabriel Rossi para a 3° edição da Revista HR CONSIGNADO.

Fonte: www.blogdoconsignado.com.br

5 comentários:

Ricardo disse...

Acho interessante a simbiose de trazer ao publico online uma matéria vinculada pela mídia off, e usar o nome do Madia é um modo interessante de trazer aos leitores outra visão do crédito consignado já que este é muitas vezes visto e mostrado como vilão

Felipe D. Arruda disse...

É muito bom ver uma visão diferenciada no mercado de consignado, onde infelizmente o "pastinha" é visto por uma grande maioria com olhares negativos.

Mas releva-se que o "pastinha" para o mercado do consignado está como o corretor de imóveis para o mercado imobiliário...

Devemos saber valorizar os reais profissionais que buscam o desenvolvimento e a ética neste segmento de mercado.Ainda a muitos corretores sérios e prósperos para as empresas.

Um abraço,

Felipe D. Arruda

By Maria disse...

ufa!! quase um jornal rs.
Oi gosto muito do mercado financeiro.
Tô procurando organizar idéias para publicar uns post lá no blog.
Gostei do seu blog, posso likar?
Um abraço

Gabriel Rossi disse...

Jonilson,

Sou meio suspeito para falar da matéria, já que o professor Francisco Madia é minha maior fonte de inspiração.

Concordo com ele no sentido que as pessoas fazem negócio com quem elas gostam e respeitam. O corretor é muito importante para a esratégia de qualquer banco ou promotora.

Um grande abraço,

Gabriel Rossi
www.blogdoconsignado.com.br

como ganhar dinheiro disse...

Uma grande matéria, o mundo dos negócios é assim mesmo.
Valeu.

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