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A BOLSA E SEUS MITOS

Ao contrário do que parece, a palavra mito habita não apenas o universo dos deuses e heróis, mas também ambientes bem terrenos como o mercado de ações. Entender o que são esses mitos e saber destruí-los é fundamental para que o investidor se sinta seguro ao entrar nesse mercado. Confira abaixo alguns deles.

A BOLSA É UM CASSINO

Essa é uma afirmação bem distante da realidade do mercado. Os mecanismos de regulação pelas próprias Bolsas (auto-regulação) e pelas entidades regulatórias (no caso do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM) são de boa qualidade e funcionam como excelentes antídotos para o conceito de jogo ou cassino. Além disso, cada vez mais as empresas se empenham em melhorar seus índices de governança corporativa, o que traz maior transparência ao mercado e aos investidores.

A BOLSA É UMA LOTERIA

Ao investir em ações, você está comprando parte de um negócio, e não um bilhete de loteria. É a possibilidade de participar de uma atividade lucrativa, beneficiando-se com os resultados das empresas (dividendos), além da possível valorização do papel e, por conseqüência, do seu investimento. Já para aqueles que desejam "jogar na Bolsa", sem ter noção do mercado, das empresas e respectivos setores, de fato a possibilidade de perder dinheiro é grande.

A BOLSA É TERRENO PARA GRANDES INVESTIDORES

Realmente é de grande relevância a participação dos grandes investidores, nacionais e estrangeiros, particularmente os chamados institucionais (fundos de pensão, seguradoras etc.). Mas há também espaço para o pequeno investidor, que pode participar desse mercado de várias formas, seja comprando/vendendo ações diretamente na internet por meio dos chamados home brokers, seja por meio de fundos de investimento especialmente criados para essa finalidade, como os fundos de ações, os fundos multimercados etc.

Fonte: Boletim Estilo do Banco do Brasil

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DIVERSIFICAR É PRECISO

Ao fazer um investimento você está necessariamente assumindo um risco. Ao contrário de poupar, em que o objetivo é apenas preservar o valor do seu dinheiro, sem correr riscos, no investimento você tem a possibilidade de obter maior rentabilidade sobre os recursos aplicados. E por isso aceita assumir algum risco.

Há, no entanto, maneiras de minimizar o risco inerente ao investimento. A mais importante delas é a chamada diversificação, na qual procura-se fazer uma distribuição adequada dos recursos entre diferentes alternativas de investimento. O objetivo é assegurar que eventuais perdas em uma das opções sejam compensadas por ganhos em outras.

Trata-se da sábia recomendação de não se colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Adaptado ao mercado financeiro, o conceito significa que, mesmo que uma cesta de aplicação - renda fixa ou Bolsa - pareça segura e confiável, podem ocorrer imprevistos no cenário econômico que a fragilizam.

Daí a importância de construir uma carteira diversificada de investimentos, reduzindo os riscos da concentração em determinados ativos financeiros. Não é por acaso que as práticas modernas de gestão de recursos privilegiam cada vez mais o desempenho de uma carteira de investimentos, e não mais uma alternativa de investimento isolada.

Obviamente, essa alocação dos "ovos" em diferentes cestas precisa ser orientada por uma equipe de especialistas em assessoria financeira. Esses profissionais consideram não somente os riscos envolvidos em cada alternativa de investimento no cenário econômico, mas sobretudo o seu perfil de investidor. Essa avaliação indica o tipo de risco que você está disposto a assumir.

Fonte: Boletim Estilo do Banco do Brasil

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O ESPECULADOR DE 15 ANOS

Jonathan Lebed é um garoto americano de 15 anos de idade que gosta de esportes, de música e de sair com amigos. É bom aluno, tem gosto pela matemática e, em 1998, ganhou um torneio nacional de investimento em ações promovido para a garotada da 8ª série.

Ele tem dois negócios na internet: um site que instrui pessoas interessadas em criar uma página na rede e outro especializado na divulgação de sites alheios. As duas investidas empresariais, segundo Lebed, são lucrativas. Na semana passada, divulgou-se que esse garoto, com jeito de nerd, de Nova Jersey, deu um golpe no mercado acionário americano, foi pego e se deu mal. Ele usou a internet para manipular o valor das ações de pequenas companhias e ganhou quase 300.000 dólares. Descoberto pela SEC, a organização que fiscaliza o bom comportamento dos operadores e das empresas na bolsa, o garoto terá de devolver o que ganhou e ainda pagar uma multa de cerca de 12.000 dólares. "Todo mundo faz o que eu fiz", disse Jonathan Lebed, o Grande, como ele mesmo se cognomina.

O que Lebed fez, entre agosto de 1999 e fevereiro deste ano, foi inscrever-se em sites de investimento via internet, aplicar dinheiro de uma conta dos pais em ações de pequenas empresas e depois emitir uma série de mensagens, com nomes falsos, espalhando a notícia de que aquelas ações seriam as próximas a disparar e a dar um lucro de 1.000%. Muita gente ia atrás da conversa e comprava os papéis. Com a procura, o valor das ações subia. Neste momento, Lebed vendia com lucro o que tinha comprado. Fez isso onze vezes. Quando tinha de ir à escola no momento em que, pelo que calculava, as ações estariam em seu ponto máximo, já deixava a venda programada. "As pessoas caíam na conversa do menino porque suas mensagens pareciam coisa de adulto", diz David Horowitz, o administrador da SEC que descobriu o caso.

Essa é a primeira vez que um menor de idade é pego fraudando negócios nas bolsas de valores americanas. Mas as autoridades andam intrigadas com o fato de que os golpistas, nesta área, parecem estar ficando cada vez mais jovens. Em março, um grupo de estudantes de direito da Universidade Georgetown foi pego aplicando o mesmo golpe de Lebed. No mês passado, um rapaz de 23 anos, da Califórnia, foi preso por divulgar, via internet, informações que fizeram despencar, em minutos, a cotação de ações de uma empresa de fibra óptica. A recomendação da SEC, considerando que a negociação de ações pela web anda esquentando, é a seguinte: "Todos devem fazer suas próprias pesquisas antes de tomar uma decisão de investimento. Ir atrás de palpites na rede é uma tolice".

Fonte: veja.abril.com.br

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EDUCAÇÃO PARA INVESTIDORES

Em 2002 a Bovespa lançou um programa de popularização do mercado de ações, feito para quem queria começar a investir, porém este não obteve os resultados esperados.

E então, há um ano, a Bovespa criou vários cursos gratuitos para quem tem de 11 a 70 anos, com o objetivo de ajudar as pessoas a primeiro organizar suas finanças para só depois pensar em investir. Elas aprendem que a administração do dinheiro tem muito a ver com sua vida e que isso pode trazer muitos ganhos futuros.

É por causa da falta de uma educação e administração das próprias finanças que muitas pessoas não conseguem prosperar financeiramente. Infelizmente nem todo mundo faz cursos, estuda ou procura entender sobre suas finanças. Mas elas querem investir, querem ganhar dinheiro, mas não conseguem porque têm dificuldade de lidar com o dinheiro, gastando mais do que podem, ficando naquele "vai-e-vem financeiro". E se conseguem investir, não ficam felizes o suficiente, pois os ganhos não correspondem às suas expectativas. Isso tudo porque a pessoa não foi educada financeiramente, não da maneira correta, ou se está tentando, ainda não conseguiu.

De acordo com a psicóloga Fernanda Patriarca, planejar seu dinheiro é planejar sua vida, e para ser alguém próspero, é preciso olhar para nossas raízes familiares, nossa cultura e principalmente para quem somos e como fazemos nossas escolhas. Para sair do saldo negativo não basta apenas entender de cálculos. A forma como as pessoas lidam com o dinheiro tem tudo a ver com a maneira como se relacionam com seu dia-a-dia. É necessário gastar com a razão e não com o sentimento, pois as dívidas são o reflexo de uma desorganização emocional. Agir com a razão antes de comprar é se perguntar: "Eu preciso mesmo disso?". É comprar tendo a certeza de que você precisa mesmo daquilo.

Precisamos também perceber quando seguimos para o caminho dos extremos: o perdulário e o avarento. A pessoa que gasta demais, não tendo controle, não poupa para o futuro. Mas quem guarda tudo, não se permite ser feliz, restringindo-se aos pequenos prazeres da vida. Educar-se financeiramente é seguir a trilha do meio e esse é um processo longo, onde é preciso determinação e persistência, o que nem sempre é fácil.

Tenha certeza que quem consegue chegar a esse caminho se permitirá a uma vida muito mais tranqüila, tendo em mãos ferramentas poderosas para transformar alguns de seus sonhos em realidade.

Fonte: sucesso.hitechlive.com.br

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OS MAIS RICOS DO MUNDO

01: Bill Gates (americano, Microsoft) - US$ 46,5 bilhões
02: Warren Buffet (americano, investidor) - US$ 44 bilhões
03: Lakshmi Mittal (indiano, International Steel Group) - US$ 25 bilhões
04: Carlos Slim (mexicano, Telmex, Móvil, Televisa) - US$ 23,8 bilhões
05: Príncipe Alwaleed Bin Talal (saudita, investidor) - US$ 23,7bilhões


06: Ingvar Kamprad (sueco, Ikea) - US$ 23 bilhões
07: Paul Allen (americano, Microsoft e investidor) - US$ 21 bilhões
08: Karl Albrecht (alemão, varejo) - US$ 18,5 bilhões
09: Larry Ellison (americano, Oracle) - US$ 18,4 bilhões
10: S. Robson Walton (americano, Wal-Mart) - US$ 18,3 bilhões

11: Jim Walton (americano, Wal-Mart) - US$ 18,2 bilhões
12: John Walton (americano, Wal-Mart) - US$ 18,2 bilhões
13: Alice Walton (americana, Wal-Mart) - US$ 18 bilhões
14: Helen Walton (americana, Wal-Mart) - US$18 bilhões
15: Kenneth Johnson (canadense, área editorial) - US$ 17,9 bilhões

16: Liliane Bettencourt (francesa, L'Oréal) - US$ 17,2 bilhões
17: Bernard Arnault (francês, Louis Vuitton e Tag Heuer) - US$ 17 bilhões
18: Michael Dell (americano, Dell Computer) - US$ 16 bilhões
19: Sheldon Adelson (americano, cassinos e hotéis) - US$ 15,6 bilhões
20: Theo Albrecht (alemão, varejo) - US$ 15,5 bilhões

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O CLUBE DOS BILHÕES

O comediante Groucho Marx, o mais esperto dos Irmãos Marx, foi autor de sacadas geniais. Mas a mais famosa delas é: "Não entro para um clube que me aceita como sócio". No caso do Clube dos Bilhões - a lista dos homens mais ricos do mundo divulgada anualmente pela revista Forbes - é ele que não aceita nenhum de nós como sócio. Para fazer parte dessa sociedade, é preciso ter um patrimônio – ou fortuna, vá lá – acima de um bilhão de dólares. Dos seis bilhões de habitantes da Terra, 691 pessoas (que, juntas, têm 2,2 trilhões de dólares) têm cacife para entrar nesse clube.

OS IRMÃOS SAFRA: UM NOME QUE VALE OURO
No mundo todo, existe uma mística em torno do clã que remonta aos tempos em que Jacob, o patriarca, iniciou seu primeiro banco em Alepo, atual Síria, no início do século passado. Os filhos seguiram o caminho e também se transformaram em banqueiros de sucesso. Edmond, que morreu num incêndio criminoso em seu apartamento em Mônaco, em 1999, fez do seu Republic National Bank of New York uma referência mundial no comércio de ouro – ou "safra", como o metal é chamado em árabe. No Brasil, os irmãos Joseph e Moise viraram sinônimo de gestão de grandes fortunas com o banco Safra. Os irmãos estão no topo da lista dos brasileiros mais ricos, com uma fortuna estimada em US$ 4,7 bilhões. Agora, entra em cena o mais novo membro da dinastia Safra. Alberto Joseph Safra, o filho caçula de Joseph, está entrando no ramo bancário e vai comandar o banco J. Safra, que está sendo estruturado na cidade de São Paulo. Discretíssimos, como convém, os Safra quase não aparecem socialmente e não dão entrevistas. Sobretudo para falar de sua fortuna.

ALOYSIO ANDRADE FARIA: UM REAL TRANSFORMADO EM DÓLAR
Na 170ª posição da lista da Forbes está Aloysio Andrade Faria, hoje com 84 anos, com fortuna avaliada em US$ 3,2 bilhões – o segundo brasileiro mais rico do mundo. Mas Faria, bom mineiro que é, não transparecer isso. Cultiva fanaticamente a discrição e não tem nada do estereótipo do banqueiro cheio de si - e de grana. Ainda parece um médico de família, o que, na verdade, ele foi. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais e pós-graduado na Northwestern University, de Chicago, ele teve de abandonar a profissão para tocar o banco do pai, Clemente Faria, que faleceu em 1948. A atual fortuna de Aloysio engrossou com a venda do Banco Real para o ABN Amro em 1998, por US$ 2,1 bilhões. Foi o maior cheque já emitido no país, segundo comentam analistas do mercado. Além de aplicar a bolada no mercado financeiro, o que resulta em ganhos astronômicos num país com os juros mais altos do mundo, a parte do negócio que não foi vendida foi transformada no Banco Alfa, que se tornou o 16º maior banco do Brasil, com ativos de US$ 2,7 bilhões, de acordo com a Forbes. O banqueiro também tem outros negócios fora do setor financeiro, inclusive a rede de lojas Casa e Construção e mais 18 empresas, entre elas a rádio Transamérica e a rede de sorveterias La Basque. Aloysio adora sorvete. Ele dá expediente diário no banco, auxiliado por uma única secretária. Quando não está trabalhando, curte a fazenda no interior de São Paulo, onde se dedica a sua maior paixão, a criação de puros-sangues da raça Árabe – plantel considerado um dos melhores do País. Sua paixão é tanta que, ocasionalmente, ele abandona a reclusão e se expõe nos leilões de seus animais.

JORGE PAULO LEHMAN: GARANTIA DE BONS NEGÓCIOS
Foi Marcel Telles, presidente do Conselho de Administração da Ambev, quem idealizou, costurou e planejou e executou o maior negócio já feito no mundo na área de cervejas: a aliança entre a belga Interbrew e a brasileira Ambev, no ano passado. Na operação, os três principais ex-controladores da companhia – o próprio Telles e seus sócios Jorge Paulo Lehman e Carlos Alberto Sicupira – receberam um prêmio de 78% na venda de suas ações ordinárias, papéis com direito a voto, e embolsaram US$ 4,1 bilhões. Mas a fortuna de Jorge Paulo Lehman antecede a venda das ações da Ambev. Fundador do Banco Garantia, controlador das Lojas Americanas e investidor em grandes negócios, Jorge Paulo é, sem dúvida, o mais fechado de todos os bilionários brasileiros. Se os demais normalmente não se expõem, Lehman tem verdadeira obsessão por segurança. Diante da ameaça de seqüestro de seus filhos, mandou-os para a Europa. E passa lá a maior parte de seu tempo. Não existem fotos recentes dele e, mesmo na internet, contam-se nos dedos as reportagens que falam de Lehman – que foi surfista e tenista na juventude - fora do mundo dos negócios. Antes de fazer fortuna, ele freqüentava as grandes festas do Rio e, com sua boa pinta, papo agradável e êxito nos negócios, fazia sucesso entre as mulheres. A venda de suas ações na Ambev agregou mais 1 bilhão de dólares a seu patrimônio.

ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES: FEITO DE CIMENTO
Ele é a terceira geração que comanda o grupo Votorantim, criado por seu avô, o imigrante português Antônio Pereira Ignácio. Tudo começou com uma tecelagem em Sorocaba. Nas décadas seguintes, seu pai, José Ermírio de Moraes, que chegou a ser senador, transformou a empresa num império. A sede da Votorantim fica no centro da capital paulista, em um prédio com vista para o Theatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, que um dia abrigou o mais luxuoso hotel de São Paulo, o Esplanada. É neste local que Antonio Ermírio de Moraes, aos 77 anos, dá expediente diariamente. O grupo - que atua nas áreas de cimento, celulose, papel, alumínio, zinco, níquel e aços longos - emprega mais de 25 mil pessoas. E é Antônio Ermírio – que tem nove filhos – quem comanda a transição do grupo para as novas gerações. Presente em todos os momentos econômicos e políticos do país e uma das opiniões mais respeitadas do empresariado nacional, o executivo é viciado em trabalho. Trabalha a partir das 7h da manhã e, em mais de 50 anos no comando da empresa, só tirou férias uma única vez. Não anda com seguranças. E dizem que usa o mesmo terno há décadas. Mas, em contrapartida, é de extrema elegância em matéria de ética e postura pessoal. Nacionalista inveterado, é o único dos bilionários brasileiros que fez fortuna exclusivamente com indústria. E não usufrui dela. A não ser para reinvestir em suas empresas.

JULIO BOZANO: CAVALGANDO MILHÕES
Um dos últimos baluartes na banca de investimentos brasileira, o empresário Júlio Rafael de Aragão Bozano, 64 anos, gaúcho radicado no Rio, em 2000 passou na grana o Grupo Meridional, que inclui o legendário banco Bozano, Simonsen, fundado em parceria com o falecido economista Mário Henrique Simonsen e amealhou mais US$ 1,3 bilhão. Com seu faro infalível para bons negócios - ele já foi considerado o Rei do Aço, quando comprou siderúrgicas com moedas podres, Bozano manteve para si as participações em empresas não-financeiras, como a Embraer (11%), e o portal de investimentos InvestShop. O que Bozano melhor sabe fazer é dinheiro. Nos anos 90, comprou participações importantes na Usiminas, na Cosipa e na CST. Depois vendeu tudo, com um lucro estimado em US$ 500 milhões. Mesmo assim, Bozano precisou pensar muito, e hesitar muitas vezes, antes de tomar essa decisão crucial. Afinal, onde quer que estivesse, o Bozano, Simonsen fazia parte de sua rotina. Ele ainda viaja muito, principalmente para locais onde possui cavalos - Estados Unidos, Argentina e o sul do Brasil. Mas quando está no Rio de Janeiro dá expediente diariamente como qualquer executivo. É raro encontrá-lo de terno. É comum vê-lo elegante em roupas esportivas, como calça bege, camisa branca e velhos mocassins. Discreto, com pavor de holofotes e com fama de administrador agressivo, apesar do jeito calmo e bonachão, Bozano aparece pouco. Nas raras vezes em que dá declarações, repete uma de suas frases preferidas: "O que o dinheiro me dá não é a possibilidade de fazer o que quero, mas a oportunidade de não fazer o que não quero". Sua maior paixão, a exemplo de Aloysio Faria, são os cavalos. Ele tem mais de 600.

ABILIO DINIZ: AÇÚCAR QUE VIROU DINHEIRO
O empresário Abilio Diniz, dono do Pão de Açúcar, pode ser traduzido em dois números básicos: 6,5% e US$ 1,3 bilhão. O primeiro expressa sua taxa de gordura no corpo. O segundo aponta a fortuna de um dos 691 homens mais ricos do planeta e a sexta maior riqueza do Brasil. Essas duas cifras representam a obsessão com o esporte e a revolução administrativa que tirou o Pão de Açúcar da quase insolvência para o posto de campeão do varejo no país. Abilio corre 10 quilômetros todas as manhãs e faz pelo menos três horas de ginástica diárias. No auge da crise do, entre 1988 e 1992, o grupo chegou a reduzir o quadro de funcionários para apenas 17 mil pessoas. Hoje são 70 mil empregados e um faturamento de mais de 13 bilhões. A história do Grupo Pão de Açúcar pode ser dividida em duas partes. A primeira começa em 1929, quando Valentim, o patriarca dos Diniz, hoje nonagenário, embarcou num navio com o sonho de começar vida nova na América. O imigrante português acabara de cruzar o Atlântico e encantou-se com a beleza de um maciço de pedra no horizonte. "É o Pão de Açúcar", avisou um passageiro. A partir de uma pequena padaria, o jovem luso ergueu, em 1948, um estabelecimento que se tornou ponto de encontro das madames paulistanas na época: a doceira Pão de Açúcar. A segunda parte da história da empresa tem como marco a recuperação do buraco em que ela se encontrava no final dos anos 80. É aí que entra o tino empresarial de Abilio dos Santos Diniz. Quatrocentas unidades da rede haviam sido fechadas e mais de 30 mil funcionários, demitidos. Parecia não restar alternativa senão esperar o grupo definhar até a morte. Abilio não se conformou. Vendeu imóveis, tomou empréstimos e anunciou a venda dos carros cedidos aos gerentes e diretores. "Chegamos até aqui com trabalho e humildade, mas agradeço primeiramente a Deus", costuma dizer Abilio, devoto de Santa Rita de Cássia.

MARCEL TELLES E CARLOS SICUPIRA: CERVEJA GELADA
Eles aparecem juntos porque fizeram carreira juntos e juntos ficaram bilionários. Marcel Herrmann Telles é formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. De 1989 a 1999, exerceu o cargo de diretor-presidente da cervejaria Brahma. Carlos Alberto da Veiga Sicupira é formado em administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e diplomado na Harvard Business School, dos EUA. Ele é também membro do Conselho de Administração da AmBev e sócio da GP Investimentos. De 1990 a 1999, atuou como membro do Conselho de Administração da Brahma. Com a venda de suas ações na Ambev, cada qual levou mais ou menos 1 bilhão de dólares. Bem-vindos ao clube! E um brinde com cerveja.

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RICO COMO WARREN BUFFET

Quer ser rico como ele? Então, pode começar prestando atenção aos conselhos de Warren Buffett, o homem que entendeu como ninguém como o mercado funciona. Uma multidão cada vez mais numerosa se reúne todos os anos para ouvir os conselhos do investidor americano Warren Buffett no tradicional encontro de acionistas de sua empresa, a Bershire Hathaway, na pequena cidade de Omaha, no estado de Nebraska.

Ao falar, Buffett coloca a inexpressiva Omaha no mapa. O interesse em torno do gênio das finanças cresce na mesma medida de sua incrível capacidade de ganhar (muito) dinheiro investindo na bolsa. Neste ano, ele aumentou sua fortuna em 10 bilhões de dólares. Com um patrimônio pessoal de 44 bilhões de dólares, Buffett se mantém, aos 76 anos, como o segundo homem mais rico do mundo, atrás apenas do americano Bill Gates, seu velho amigo e discípulo.

Hoje suas idéias são cultuadas de maneira quase religiosa por seguidores e propagadas em centenas de livros nos Estados Unidos. No mercado editorial brasileiro, porém, os títulos sobre Buffett são poucos. Em parte, essa lacuna poderá ser preenchida por uma obra que será lançada em novembro. Trata-se de O Tao de Warren Buffet, escrito por Mary Buffett, ex-nora do investidor, em parceria com David Clark, um velho amigo da família. Na obra, Mary se descreve como uma 'buffettologista', integrante de um grupo de estudiosos para os quais quanto mais se pensa nas afirmações do investidor, mais elas se mostram reveladoras, tal qual os ensinamentos de um mestre taoísta - daí o nome do livro.

Durante anos de convívio com Buffett, os autores tiveram a chance de colecionar seus mandamentos de uma maneira privilegiada. A dupla anotou frases ditas por ele em reuniões sociais e encontros familiares. A obra traz 125 dessas citações acompanhadas de uma descrição do contexto em que surgiram. A coleção traça o retrato de um homem disciplinado e precavido e dá pistas de como ele consegue manter um poderoso portfólio de investimentos sob a bem-sucedida holding Berkshire Hathaway. Quando fundou a companhia, na década de 60, cada ação da Berkshire Hathaway valia 8 dólares - hoje, o valor dos papéis supera 100.000 dólares.

Dois princípios de Buffett predominam entre as citações do livro. Um deles é apostar apenas em empresas com fundamento ótimos - ou, nas palavras do investidor, que possam ser comandadas por qualquer idiota. Ele se refere a companhias lucrativas por longos períodos e que tenham uma marca e um conceito de produto tão bons que sejam à prova de fases ruins. Esses momentos de baixa seriam, aliás, o momento perfeito para aumentar a carteira com papéis da empresa e esperar pela valorização. Buffett aplicou essa lição, por exemplo, em 1973, ao comprar 11 milhões de dólares em ações da Washington Post Company, dona de um dos jornais mais importantes dos Estados Unidos. Na época, o grupo de comunicação atravessava um período turbulento e parecia pouco atraente para os analistas. A situação mudou e os papéis começaram a subir. Hoje, a participação de Buffett na companhia vale algo em torno de 1,5 bilhão de dólares.

A disposição em segurar por tanto tempo um mesmo ativo sintetiza o segundo lema de Warren Buffett para os negócios - uma lição aprendida em sua estréia na bolsa, aos 11 anos de idade. Na época, ele comprou três ações da petrolífera City Services, a 38 dólares cada. Logo o preço caiu para 27 dólares. Assim que elas se recuperaram e alcançaram uma cotação de 40 dólares, o pequeno Buffett as vendeu. Pouco tempo depois, elas alcançaram a cotação de 200 dólares e mostraram um dos muitos ensinamentos que ele gosta de passar adiante: paciência vale ouro. Segundo ele, o bom investidor se compromete com as ações de uma boa companhia para toda a vida e ignora ascensões e quedas momentâneas. Buffett não costuma se arriscar em ofertas iniciais de ações - os chamados IPOs - e prefere ações de companhias que vendem produtos tradicionais, como alimentos e roupas. Sinal de sua cautela é a recusa em adquirir ações de empresas de tecnologia. Buffett costuma afirmar que não importa o quanto a Microsoft rende hoje, mas sim o fato de que nem o dono dela, seu amigo Bill Gates, sabe qual será o futuro do setor daqui a dez anos. Logo, defende, trata-se de uma ação perigosa demais para comprar.

Apesar da riqueza, Buffett não faz o tipo esbanjador. Mesmo depois de ganhar seus primeiros milhões, Buffett rodava pela cidade onde nasceu e vive até hoje, Omaha, a bordo de um Fusca velho. Ele acreditava que os 25 000 dólares que gastaria num carro novo seriam mais úteis aplicados no mercado de ações - segundo seus cálculos, em 20 anos essa quantia poderia se transformar em quase 1 milhão de dólares. O mesmo raciocínio valia para as roupas, razão pela qual ele só usava ternos baratos. Mesmo seus aparentes excessos - como viagens a bordo de um jatinhos luxuosos - são regidos pela lógica financeira. Para poder voar nesses aviões, ele achou melhor comprar sua própria empresa, a NetJets, e ganhar mais um dinheirinho vendendo cotas que garantem aos compradores o uso de um determinado número de horas de vôo por ano.

Fonte: portalexame.abril.uol.com.br

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